Monday, June 2, 2008

Para falar menos e ler mais

Nos últimos meses tenho falado da importância da leitura de livros islâmicos e do estudo constante. Mas vou reforçar mais uma vez.

Há reclamações por todos os lados dos muçulmanos brasileiros: “os árabes nos tratam mal”, “os árabes não ensinam a religião”, “os árabes não sabem a religião e misturam com cultura”, “os árabes são responsáveis pela estagnação do Islam no Brasil”, “os árabes mataram Odette Roitman”, “os árabes, os árabes, os árabes…”. Tudo é culpa dos árabes. E nós, pobres brasileiros, continuamos muçulmanos de segunda classe.

Vamos esquecer essa lenga-lenga por um instante e pensar em outro problema: nós, brasileiros. Sim, porque nós somos um problema. E só nós podemos resolver isso.

Temos uma herança cristã muito forte. Os ex-católicos muitas vezes tratam o Islã com o mesmo descaso com que tratavam a Igreja: aí sexta-feira se torna dia de mesquita, sábado de centro espírita e domingo de missa. Sei que brasileira adoooora um sincretismo religioso, mas – sem deixar de respeitar as outras religiões – se você é muçulmano, é muçulmano e ponto. Se quiser visitar a mesquita, tudo bem. Mas saiba que vc é mais um simpatizante e deve assumir-se como tal.


Outro problema nosso é a preguiça imensa de estudar. E se a sua criação ou o governo não fez a sua parte e não te deu o hábito de ler, saiba que esse hábito pode começar a qualquer momento. Malcom X mal sabia ler e escrever: mas quando foi preso decidiu começar a estudar, leu um dicionário de cabo a rabo para conhecer as palavras. Leu  Aristóteles, Platão e muitos outros autores que a maioria não consegue decorar nem o nome. E tornou-se o grande orador que foi, fazendo a diferença na luta pelos direitos dos negros americanos, e inclusive defendendo o Islam no fim da sua vida.

O terceiro problema é comum entre ex-evangélicos. A mania de tirar as próprias conclusões sem embasamento algum. A gente lê uma tradução do Alcorão e pensa que é o mesmo que muitos cristãos fazem com a Bíblia: é só pedir orientação a Allah swt que tudo o que vier à sua cabeça depois é uma revelação divina e deve ser espalhada aos sete ventos e enfiada goela abaixo nos outros irmãos. E acreditem ou não, há uma imensa briga de opiniões entre muçulmanos brasileiros, cada um com uma conclusão mais maluca que a outra: um acha que o véu é haram, outro acha que a sunna do Profeta (saas) é inválida, outro acha que a poligamia é obrigatória. E por aí vai.

E mesmo que os árabes não queiram ensinar nada, parte do problema ainda é nosso. Muitos usam essa desculpa e cruzam os braços, esperando que o “GRANDE ÁRABE” aporte no Brasil e resolva fazer dawah de qualidade e ensine a todos os muçulmanos brasileiros o que eles querem saber. Nós é que devemos ir atrás de bons livros, fazer um grupo de estudos e tirar as dúvidas com alguém que saiba mais (porque há sempre alguém que pode fazer isso de vez em quando), senão cada grupo vai tirar uma conclusão e a confusão continuará.

E por último uma dica: freqüentem menos o Orkut. As comunidades muçulmanas estão cada vez mais cheias de exibicionistas e arrumadores de discussões inúteis que resultam em muçulmanos acusando uns aos outros. Esse tempo poderia ser gasto em uma boa leitura.
Por enquanto fico por aqui. Até a próxima (que na verdade nem sei se está tão próxima assim) e Salam!

Posted by Muslimah in 16:46:04 | Permalink | Comments (9)

Pequenas regrinhas e pedidos

Primeiro gostaria de dizer que não consigo mais entrar no meu perfil do Orkut. Portanto, não mandem mais scraps pois não irei visualizá-los. Podem mandar comentários e pedir discrição. E também não se espantem se começar a aparecer umas comunidades malucas no meu perfil… ele foi tomado pelo lado escuro da força, RS.
Em segundo lugar, gostaria de dizer que eu publico comentários favoráveis e contrários ao que escrevo. Só não publico comentários desrespeitosos, mesmo que o argumento seja lógico. Portanto, segurem os xingamentos se quiserem me contestar e ser publicados.
Em terceiro lugar… o blog continua pouco atualizado, não é? A faculdade acabou, mas estou trabalhando e ele deve continuar meio abandonadinho. Mas não desistam… façam uma visita uma vez por semestre que terão várias surpresas!
Salam a todos!
Posted by Muslimah in 16:18:14 | Permalink | Comments (1) »

Wednesday, March 26, 2008

O que ler

Eu disse no post passado que um muçulmano precisa gostar de ler, porque é nos livros que encontrará as informações para fortalecer a própria fé, aperfeiçoar a prática e ter argumentos para responder os chatos de plantão ou os curiosos. Afinal, é só falar em uma rodinha que você é muçulmano que um monte de perguntas serão despejadas em cima de você. E as mulheres muçulmanas já têm a péssima fama de reprimidas, daquelas que não podem sair de casa nem pra estudar e que, se estão na rua, é porque conseguiram fugir. E se eles vêem uma mulher de véu inteligente e bem articulada, essa impressão cai por terra.

Mas não vale ler qualquer coisa. Se você for à livraria vai encontrar tudo sobre o Islam, começando pelas revistas. Já disse que revista Veja não vale nem folheada, pois o risco de náuseas ao se ler tanta bobagem junta é real. Os romances orientalistas que estão na moda também são perda de tempo: a coleção Sultana, O Livreiro de Cabul, a resposta do Livreiro de Cabul, etc.

Outro gênero de livros a ser evitado ou, no mínimo, lido com cuidado: os das mulheres que já foram muçulmanas, sofreram abusos, foram ouvidas por alguma jornalista e agora estão ricas de tanto vender livros. Alguns simplesmente são falsos (lembre-se: muçulmana sofrida vende mais livros do que enigmas bíblicos e Maria Madalena). Outros são verdadeiros, e é revoltante que elas tenham sofrido tanto. Porém devemos separar cultura de religião, mesmo que na prática seja difícil. Muitas dessas mulheres sofreram abusos ditados por costumes locais que vieram antes do Islam e que este não conseguiu apagar: circuncisão feminina, estupro como punição, etc.

Os mais intelectuais já iriam para a prateleira de livros de História, mas mesmo aí devemos ter cuidado. Bernard Lewis, nem pensar! Ele é bom historiador, mas tem muitas escorregadas. Recomendo o Albert Hourani (“Uma história dos povos árabes”, que agora tem edição mais barata), embora seja um pouco maçante. Os livros da karen Armstrong são mais gostosos de ler, mas não recomendo a biografia “Maomé”: não há critério na escolha de fontes da autora.
Conhecer a história do Islam é importantíssimo para um muçulmano, pois assim ele saberá por quê algumas distorções ocorreram em determinados lugares, por quê há homens-bomba na Palestina ou por quê há tantos xiitas no Irã.

Alguns livros são mais difíceis de serem encontrados em livrarias, mas já vi em várias. De qualquer forma, podem ser adquiridos pela internet. Todos são da editora Azaan e escritos por muçulmanos. Aqui estão alguns títulos:

1. “A mensagem do anjo Gabriel para a Humanidade”, de Jamaal al-Din M. Zarabozo
2. “Sob as luzes do Alcorão” e
3. ”Descobrindo o islam”, de Munzer Isbelle
4. “Islam, sua crença e sua prática” e
5. “O Estado islâmico e sua organização”, ambos de Sami Armed Isbelle

Embora alguns pareçam básicos, eles são mais profundos do que os outros livros disponíveis em português. E eu acredito serem indispensáveis. E saibam que a propaganda é por minha conta, a editora não vai me mandar nenhum cheque por isso (embora seja uma boa idéia, rsrs).

Mas depois que você leu TODOS os livros listados aqui, provavelmente vai querer mais. Só há um problema: não há muito mais em português. O que fazer? Hum… estava pensando que é simples ser muçulmano?  O Profeta (saas) disse que deveríamos buscar conhecimento até mesmo na China. E sem um idioma extra não dá pra sair nem de Foz do Iguaçu.

Posted by Muslimah in 14:32:28 | Permalink | Comments (4)

Voltando à escola

Muitos pensam que para tornar-se muçulmano é muito simples: é só fazer a shahada e começar a rezar, a fazer jejum no ramadan, a fazer caridade, a ir à mesquita nas sextas-feiras e juntar uma graninha pra fazer o hajj. Certo? Errado… esse é só o começo, meus queridos. Para muitos a maior dificuldade não é jejuar um mês inteiro pela primeira vez: é estudar.
Isso mesmo! Quem quiser ser muçulmano e não gostar de estudar vai pular fora rapidinho ou ser um muçulmano beeem fraquinho. Daqueles que, se aparecer alguém perguntando por quê o Islam oprime as mulheres, vai responder só um : “Ãnh?”
A primeira coisa a fazer é LER. Se você não gosta de ler, aprenda a gostar rapidinho. Eu sei que os livrinhos da WAMY são meio complicadinhos, e no começo não se sabe se é porque eles são feitos para um leitor árabe ou se a tradução está ruim, mas vamos lá…. dá pra decodificar! (Com exceção do “Islam em Foco”: desistam e procurem substitutos!). E eles são poucos, são baratinhos (isso quando você não ganha um) e valem a pena. Se você passou por todos os livrinhos, já poderá enfrentar “Jesus, um profeta do Islam”, que é um pouco maior. E por último (mas simplesmente INDISPENSÁVEL) vem a biografia do Profeta Muhammad (saas).
Eu já sei que muitos de vocês têm desculpas para não ler. Aqui vão algumas delas:

1. “Eu leio tudo na internet”: ótimo. Mas sabemos que na internet há muitas informações ruins e erradas. Há bons sites, mas eles também não podem englobar tudo. Por exemplo… há várias biografias do Profeta (saas), mas nenhuma delas completa como o próprio livro. Ah… e você já está careca de saber que esse blog é pouco atualizado e que eu sei muito pouco, e talvez por isso enrole de vez em quando e escreva muita coisa relacionada a comportamento. Decore e internalize a seguinte frase: “A internet é apenas um complemento”.

2. “Eu tenho amigos que me ensinam a religião”: felizmente temos amigos que sabem mais e que podem nos dar um monte de dicas. Mas pessoas são passíveis de erros. Se o seu amigo é revertido a mais tempo que você, talvez ainda saiba pouco. Ele está no processo de aprendizado como você. Se ele fez um curso fora ou até mesmo a faculdade de Shariah, muito bom! Mas ele não pode estar disponível 24 horas por dia: ele provavelmente tem família, trabalho, essas coisas que todo mundo merece ter. Se você é daqueles que acham que ter um amigo árabe é como ser amigo de um guru que sabe todos os segredos do universo, não se engane. Eles falam árabe e foram criados como muçulmanos, e isso é muito legal. Mas alguns (nem todos) sabem tanto do Islam quando um católico brasileiro sabe a história dos santos. Eles sabem como se comportar em uma mesquita, sabem alguns du’as de cor e têm um tio sheikh em algum lugar do mundo, mas muitas vezes não sabem mais do que isso.
Volto a dizer que nem todos os árabes são assim, felizmente. Porém, verifique as fontes das informações dele como eu sei que vocês fazem com os muçulmanos revertidos.

3. “Eu assisto as aulas de religião na mesquita”: isso também é muito legal. Mas pelo menos em São Paulo as aulas de religião ainda são introdutórias, são superficiais. Não é porque você vai assistir dez vezes a mesma aula sobre os cinco pilares que vai saber mais do que… os cinco pilares. chega uma hora em que aquilo não será mais suficiente.

Agora que você se convenceu (ou deveria) de que precisa ler, também precisa saber que não é pra ler qualquer coisa que fale sobre o Islam. Mas isso eu deixo para o próximo post.

Só adianto uma coisa: revista Veja, nem pensar!

Posted by Muslimah in 14:02:16 | Permalink | Comments Off

Friday, February 22, 2008

Muslimah chic forever…

Acabo de receber de uma irmã um link para um blog maravilhoso que dá dicas incríveis para nós, muçulmanas, que queremos nos vestir bem e não estamos a fim de usar um jilbab árabe coloridão e bordado que mais parece a verão islâmica da farda da Academia Brasileira de Letras. Também nos ajuda a escapar do modelinho básico “túnica indiana + calça” e da dependência de costureiras. Com peças que encontramos em qualquer shopping center, é possível compor um visual islâmico e pra lá de moderno.
Aqui vai:
http://www.welovehijab.com/

salam!

Posted by Muslimah in 22:10:18 | Permalink | Comments (5)

Tuesday, February 19, 2008

Blogs

Salam,
Eu gostaria de divulgar alguns blogs de muçulmanos aqui, mas meu computador foi formatado e perdi os endereços de alguns.
Então peço para os muçulmanos que têm um blog que mandem um comentário com o endereço.
O blog que recomendo hoje é:
www.diariodereversao.zip.net

O próprio endereço já diz, né? É um diário de duas revertidas ao Islam, é é uma delícia ler porque é muito fácil se identificar com as situações.

salam!

Posted by Muslimah in 19:19:15 | Permalink | Comments Off

O natal (nosso?) de cada ano

Eu não sei quantos leitores são muçulmanos revertidos de famílias cristãs, mas posso dizer que nós temos um bocado de coisas em comum. A primeira delas: bolamos mil e uma maneiras de escapar das festas de fim de ano em família.

Não sei se é necessário falar que nós, muçulmanos, não comemoramos nem natal nem fim de ano. O natal porque não acreditamos que Jesus seja filho de Deus, mas que ele foi um profeta dentre outros (Adão, Moisés, Muhammad , etc.). O fim do ano não é comemorado porque temos um outro calendário, cuja passagem de ano se dá em datas diferentes do calendário ocidental.

Mas vá tentar explicar isso amigavelmente para a sua mãe! Chantagens emocionais são inevitáveis nessa época do ano, onde todo mundo [PENSA] fica mais solidário, mas família, mais feliz, mais grudento, mais depressivo, mais… chantagista, enfim. As mulheres da família tiram argumentos mais cabulosos do fundo do baú. Aqui estão alguns deles:

1.       A sua avó vai ficar muito decepcionada com você se não for na ceia de natal!

2.       O tio Jorge está com câncer! Pode ser o último natal dele em família!

3.       Olha aqui, eu fui em todas as suas reuniões de escola e apresentações de balé (ou jogos de futebol). Será que não dá pra retribuir isso pelo menos uma vez?

4.       Você vai fazer isso com o menino Jesus!!!????

Pior é quando você tenta explicar que é muçulmano. A sua avó se vira e fala: “Tudo bem, meu filho… é só não comer o tender”. Ou então você caiu na armadilha, já está na ceia de natal e o cunhado engraçadinho te chama de homem-bomba ou mulher do Bin Laden e todo muito ri, inclusive você muito desajeitadamente, prometendo a si mesmo que no ano que vem estará na Síria fazendo um curso de dawah só para ficar longe de tudo isso.

O meu natal não foi diferente. Chantagem: meu sogro chorou no natal passado porque pouca gente foi na ceia que ele preparou. Então eu tinha que ir esse ano. O que pensamos nessa hora para aliviar a consciência? “Ah, eu vou lá, como e vou embora.” Sem falar que meu sogro não implica com a minha religião e a do meu marido.

Chegamos lá. Uma mulher que eu não conhecia veio nos cumprimentar. Amiga da família, tinha acabado de se separar porque o marido foi morar com outra com a metade da idade dela. Resultado: ela estava bebendo no seu primeiro natal solteira. Na hora de comer, ela decide fazer uma oração. “Eles são muçulmanos, não precisam participar se não quiserem”, disse o meu sogro, referindo-se a mim e ao meu marido. Mas tivemos que ouvir.

E não é que ela rezava como um pastor de igreja evangélica, com todas aquelas variações no tom de voz? Começou pedindo bênçãos para a família, depois prosseguiu falando de cada uma das pessoas que estavam ali, dizendo que ela era uma serva e tal, que Ele tocasse no coração das pessoas ali, bla, bla, bla…. Demorou uns 10 minutos. Mas – não sei se por conta do tom de voz (“Senhorrrrrr Jesuuuuuuuuss”) ou porque ela estivesse bêbada, teve que não segurasse o riso. Eu tentei, porque é muita falta de educação rir quando os outros estão rezando, mas meu cunhado de apenas 8 anos de idade segurava-se na mãe e ria, ria, ria. Enfim, a mulher parece não ter percebido, para nosso alívio.

Pensei que a minha aflição estivesse acabado ali. Logo depois ela veio falar comigo. Sentiu que eu havia sido tocada. Sim, eu fui tocada… por uma vontade louca de rir. Alguém já ouviu um bêbado rezando? Em qualquer religião… não é nada agradável.  A mulher começou a dizer que era evangélica, que eu deveria ir no salão de cabeleireiros onde ela trabalhava, que a amante do marido era muito abusada (a mesma história ela repetiu 3 vezes) e outras coisas.

Disse que iria ao salão. Diria até que iria na igreja se ela parasse de falar, mas ela não me fez a proposta.

Pensei que passaria um natal longe da minha família, mas não tem jeito: natal é a sina de todo revertido.

Já estou na fila do curso de dawah.

Posted by Muslimah in 18:35:57 | Permalink | Comments (4)

Assalamu aleikum

fico feliz em saber que muitas pessoas estão conhecendo o blog e gostando dele, mesmo desatualizado.
Estou com mil idéias na cabeça, mas não consigo parar na frente do computador.
Para quem tenta me contactar pelo orkut: desculpem, entro muito pouco no meu perfil, menos ainda nos recados.
Por isso peço para aqueles que quiserem me contactar que mandem um e-mail para: nabitadio@yahoo.com.br
Salam a todos!
Posted by Muslimah in 18:02:54 | Permalink | Comments Off

Assalamu aleikum

fico feliz em saber que muitas pessoas estão conhecendo o blog e gostando dele, mesmo desatualizado.
Estou com mil idéias na cabeça, mas não consigo parar na frente do computador.
Para quem tenta me contactar pelo orkut: desculpem, entro muito pouco no meu perfil, menos ainda nos recados.
Por isso peço para aqueles que quiserem me contactar que mandem um e-mail para: nabitadio@yahoo.com.br
Salam a todos!
Posted by Muslimah in 18:02:22 | Permalink | Comments Off

Friday, August 17, 2007

Nacionalistas X Arabistas

Nos últimos anos dentro da comunidade muçulmana brasileira, o termo “arabista” se tornou uma palavra negativa entre os brasileiros, e em alguns casos até uma ofensa. Afinal, alguns brasileiros sentem-se excluídos das atividades que alguns árabes presidem, outros reclamam de preconceito. E em resposta a isso tornam-se nacionalistas ferrenhos, rejeitam qualquer coisa que venha de um árabe e, em casos extremos, acham que nem é preciso aprender árabe porque “já temos muitos livros bons em português”.

É claro que ninguém gosta de ser excluído, mas é preciso tomar cuidado para não ficar em um dos dois extremos. E quando começamos a fazer generalizações, estamos a um passo do nacionalismo ou arabismo extremos.

Listo aqui algumas dessas generalizações. Primeiro as pérolas que os brasileiros costumam dizer:

“O brasileiro é pacífico. Eles vivem guerreando e se matando por qualquer coisa”: cof-cof-cof! Tenho vontade de bater (eu não sou pacífica) em quem solta essa frase. Camarada, o Brasil tem índices de violência muito mais altos que muitos países árabes e africanos, onde achamos que as pessoas matam e morrem como insetos. Não é lá que policiais invadem favelas e matam crianças, velhos, quem estiver na frente (e depois dizem que eram traficantes, suspeitos, suicidas, etc). E o que aconteceu no ano passado em São Paulo? Ônibus queimados a torto e a direito e policiais atirando em qualquer homem que saísse de carro à noite. Sem falar nas cidades do interior, onde antigos coronéis impõe as próprias leis ou de vez em quando um deputado decide serrar as pessoas. Olha, gente… não quero dizer aqui que a Palestina é o paraíso na Terra, mas é muito feio a gente falar mal dos outros quando temos os mesmos defeitos.

“O brasileiro é honesto. Já os Malufs da vida…”: ok, o Maluf não é honesto, mas vocês entenderam, certo? O que já ouvi de gente falando que “turco” é isso e aquilo, que engana todo mundo, etc… É óbvio que há árabes sacanas e árabes muito honestos. E os brasileiros não são mais ou menos honestos que qualquer outro “povo”: quem nunca furou fila que jogue a primeira pedra! E se fôssemos tão honestos assim, não teríamos tantos problemas em Brasília.

Agora as pérolas que saem da boca dos árabes:

“As mulheres brasileiras são muito…”: é melhor não terminar porque esse é um blog familiar. Muitas mulheres perceberam que essa é a impressão que os árabes têm de nós na internet mesmo. Uma amiga minha estava conversando comigo no ICQ (há muitos anos, quando ainda existia ICQ… estou ficando velha!) quando apareceu um saudita na listinha dela e, sem mais nem menos, pediu uma foto dela “em roupas brasileiras”. E quando chegam, aqui, continuam achando que nós somos fáceis e as mulheres deles são santas. Acontece que meu irmão – que é muito bonitinho, por sinal – quando ainda estava na escola teve que dar um fora numa garota árabe muçulmana umas três vezes. Por quê? Porque era a maior *** da escola e ele queria coisa melhor. Sem falar que nas festinhas o pai da garota a levava, bebia e começava a brigar com ela em árabe no meio de todo mundo. E meu irmão queria um sogro menos complicado. Esse é só um caso… outros como esse conheço de monte, mas o espaço é curto e eu não sou fofoqueira (mais uma generalização, cof-cof-cof).

“As muçulmanas brasileiras são mulheres fantasiadas de árabe”: acredite ou não, irmãzinhas… há muçulmanos que pensam isso de nós. Como se o selo de autenticidade viesse apenas se a sua família for muçulmana por pelo menos 600 anos. Aí eu penso: “Peraí… o Profeta (saas) não nasceu em uma família de muçulmanos praticantes, e também nenhum dos sahaba. E quem eram melhores muçulmanos do que eles?”. E quem é que macaqueia quem, aqui no Brasil? Já vi “carnaval islâmico”, “festa junina islâmica” e até “balada islâmica”. Nesse caso são árabes fantasiados de brasileiros. Então estamos quites.

A lista continua, mas o tópico ficaria enorme. Mas como aqui tem faísca suficiente para uma explosão, vamos parar, rs.

salam!

Posted by Muslimah in 17:29:46 | Permalink | Comments (17)