Para falar menos e ler mais
Nos últimos meses tenho falado da importância da leitura de livros islâmicos e do estudo constante. Mas vou reforçar mais uma vez.
Há reclamações por todos os lados dos muçulmanos brasileiros: “os árabes nos tratam mal”, “os árabes não ensinam a religião”, “os árabes não sabem a religião e misturam com cultura”, “os árabes são responsáveis pela estagnação do Islam no Brasil”, “os árabes mataram Odette Roitman”, “os árabes, os árabes, os árabes…”. Tudo é culpa dos árabes. E nós, pobres brasileiros, continuamos muçulmanos de segunda classe.
Vamos esquecer essa lenga-lenga por um instante e pensar em outro problema: nós, brasileiros. Sim, porque nós somos um problema. E só nós podemos resolver isso.
Temos uma herança cristã muito forte. Os ex-católicos muitas vezes tratam o Islã com o mesmo descaso com que tratavam a Igreja: aí sexta-feira se torna dia de mesquita, sábado de centro espírita e domingo de missa. Sei que brasileira adoooora um sincretismo religioso, mas – sem deixar de respeitar as outras religiões – se você é muçulmano, é muçulmano e ponto. Se quiser visitar a mesquita, tudo bem. Mas saiba que vc é mais um simpatizante e deve assumir-se como tal.
Outro problema nosso é a preguiça imensa de estudar. E se a sua criação ou o governo não fez a sua parte e não te deu o hábito de ler, saiba que esse hábito pode começar a qualquer momento. Malcom X mal sabia ler e escrever: mas quando foi preso decidiu começar a estudar, leu um dicionário de cabo a rabo para conhecer as palavras. Leu Aristóteles, Platão e muitos outros autores que a maioria não consegue decorar nem o nome. E tornou-se o grande orador que foi, fazendo a diferença na luta pelos direitos dos negros americanos, e inclusive defendendo o Islam no fim da sua vida.
O terceiro problema é comum entre ex-evangélicos. A mania de tirar as próprias conclusões sem embasamento algum. A gente lê uma tradução do Alcorão e pensa que é o mesmo que muitos cristãos fazem com a Bíblia: é só pedir orientação a Allah swt que tudo o que vier à sua cabeça depois é uma revelação divina e deve ser espalhada aos sete ventos e enfiada goela abaixo nos outros irmãos. E acreditem ou não, há uma imensa briga de opiniões entre muçulmanos brasileiros, cada um com uma conclusão mais maluca que a outra: um acha que o véu é haram, outro acha que a sunna do Profeta (saas) é inválida, outro acha que a poligamia é obrigatória. E por aí vai.
E mesmo que os árabes não queiram ensinar nada, parte do problema ainda é nosso. Muitos usam essa desculpa e cruzam os braços, esperando que o “GRANDE ÁRABE” aporte no Brasil e resolva fazer dawah de qualidade e ensine a todos os muçulmanos brasileiros o que eles querem saber. Nós é que devemos ir atrás de bons livros, fazer um grupo de estudos e tirar as dúvidas com alguém que saiba mais (porque há sempre alguém que pode fazer isso de vez em quando), senão cada grupo vai tirar uma conclusão e a confusão continuará.
E por último uma dica: freqüentem menos o Orkut. As comunidades muçulmanas estão cada vez mais cheias de exibicionistas e arrumadores de discussões inúteis que resultam em muçulmanos acusando uns aos outros. Esse tempo poderia ser gasto em uma boa leitura.
Por enquanto fico por aqui. Até a próxima (que na verdade nem sei se está tão próxima assim) e Salam!
Outro problema nosso é a preguiça imensa de estudar. E se a sua criação ou o governo não fez a sua parte e não te deu o hábito de ler, saiba que esse hábito pode começar a qualquer momento. Malcom X mal sabia ler e escrever: mas quando foi preso decidiu começar a estudar, leu um dicionário de cabo a rabo para conhecer as palavras. Leu Aristóteles, Platão e muitos outros autores que a maioria não consegue decorar nem o nome. E tornou-se o grande orador que foi, fazendo a diferença na luta pelos direitos dos negros americanos, e inclusive defendendo o Islam no fim da sua vida.
O terceiro problema é comum entre ex-evangélicos. A mania de tirar as próprias conclusões sem embasamento algum. A gente lê uma tradução do Alcorão e pensa que é o mesmo que muitos cristãos fazem com a Bíblia: é só pedir orientação a Allah swt que tudo o que vier à sua cabeça depois é uma revelação divina e deve ser espalhada aos sete ventos e enfiada goela abaixo nos outros irmãos. E acreditem ou não, há uma imensa briga de opiniões entre muçulmanos brasileiros, cada um com uma conclusão mais maluca que a outra: um acha que o véu é haram, outro acha que a sunna do Profeta (saas) é inválida, outro acha que a poligamia é obrigatória. E por aí vai.
E mesmo que os árabes não queiram ensinar nada, parte do problema ainda é nosso. Muitos usam essa desculpa e cruzam os braços, esperando que o “GRANDE ÁRABE” aporte no Brasil e resolva fazer dawah de qualidade e ensine a todos os muçulmanos brasileiros o que eles querem saber. Nós é que devemos ir atrás de bons livros, fazer um grupo de estudos e tirar as dúvidas com alguém que saiba mais (porque há sempre alguém que pode fazer isso de vez em quando), senão cada grupo vai tirar uma conclusão e a confusão continuará.
E por último uma dica: freqüentem menos o Orkut. As comunidades muçulmanas estão cada vez mais cheias de exibicionistas e arrumadores de discussões inúteis que resultam em muçulmanos acusando uns aos outros. Esse tempo poderia ser gasto em uma boa leitura.
Por enquanto fico por aqui. Até a próxima (que na verdade nem sei se está tão próxima assim) e Salam!