Saturday, October 21, 2006

Quebra de jejum

Comer é sempre uma festa. Ainda mais para quem passou o dia inteiro sem colocar uma gota de água na boca.

Ontem passei o dia na mesquita do Rio de Janeiro. Depois da oração de meio-dia, as pessoas ficaram lá até o pôr-do-sol, hora de quebrar o jejum. Nessa hora chegam os pratos previamente encomendados. E também tem sobremesa.

O que as pessoas fazem lá a tarde inteira? Algumas conversam, outras lêem, outra vendem roupas árabes. Aliás, comprei uma abaya para a festa do Eid, onde todos nós usamos roupas novas e comemos tudo o que deixamos de comer no ramadan.  Meu marido, que tem passado as madrugadas acordado para comer e rezar, arranja um cantinho do carpete e vai dormir. Por isso teve o seu relógio roubado! Calma! Foi uma brincadeira que fizeram com ele. O pior não é ficar sem relógio, é não perceber que tiraram ele de você. Só se deu conta no final do dia, quando lhe entregaram de volta.

As crianças se ocupam com brincadeiras e ocupam os adultos. O filho do imam não podia ver a porta aberta que saía correndo. E como as crianças não jejuam… ele enchia copos de água e saia distribuindo para os pobres adultos sedentos. Enquanto rezavam ele tirava o telefone do gancho e dizia “Tchau, tchau… salaliko”, que é uma “adaptação” de Assalamu aleikum. Então ele sossegava e se prostrava, imitando os mais velhos que rezavam. Infelizmente ele ainda não é muito religioso e não terminava a oração. Eu não dei conta do garoto. Ele mistura árabe e português. Mas água para beber não faltou.

Então chega a hora de comer.  A mulheres precisam se servir primeiro.Cavalheirismo? Que nada… se os homens se servirem primeiro eles acabam com a comida! Ninguém tem vergonha de encher os pratos (sim, no plural!), então enchi o meu também (no singular!). E comi o melhor  pão sírio (no Rio chamam de pão árabe) da minha vida, feito em casa.

Foi uma ótima reunião. Chegamos às dez da noite em casa. Encontrei pessoas, coloquei as fofocas em dia e passei um dia de ramadan (que geralmente é difícil quando se está sozinho) muito agradável. Tivemos até uma mini-aula de religião, onde as pessoas faziam perguntas ao imam.

Quem quiser, aproveite antes que o ramadan acabe. Hoje ainda tem quebra de jejum nas mesquitas… Mas não vale chegar só na hora do rango! Tem que passar o dia lá com todo mundo… assim o dia passa a valer a pena. 

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Sunday, October 8, 2006

Trapalhadas de ramadan

Não há como escapar de pequenos micos e trapalhadas em um mês onde se jejua todos os dias. Esse é o meu quarto ramadan. E o meu primeiro dia de jejum…. Bem, foi assim: eu acordei de madrugada para comer. Às oito da manhã acordo passando mal, vomito tudo e passo o resto do dia com o estômago vazio. Fui bem treinada para o que estava por vir, pois depois desse dia nenhum dia de jejum poderia ser pior. E tive ótimos dias de jejum, quando me alimentei bem na madrugada.

Mas nem todos os dias. Só mesmo numa situação dessas para eu ver um pãozinho francês na tv e sonhar o resto do dia com ele. Um pãozinho francês, cheio de miolo! Com manteiga, então… ai, que delícia! Depois do delírio vem a reflexão: eu sabia que poderia comer um pãozinho francês com vários recheios dentro de poucas horas, mas o que acontece com quem tem fome e não tem essa perspectiva?

Outra coisa… aquele halitozinho de quem não come nada o dia inteiro… Allah swt disse que nada Lhe agrada mais do que o hálito do jejuador, mas muita gente não se agrada em nada. Então eu fico mais calada nesse mês. Aí as pessoas acham que o ramadan é um mês de caras fechadas e tristeza. Gente, algumas pessoas ficam mesmo nervosas por conta da fome. Mas outras querem ficar quietinhas no seu canto para não ouvirem um “Nossa, que cheiro é esse?”.

Tem ainda aquele pessoal que nunca reza, mas nesse mês anda para baixo e para cima com o seu tapetinho. Pedindo perdão por não terem rezado o ano todo. Depois voltam a não rezar por mais um ano até o próximo ramadan.

Fiquei sabendo agora que tem gente que reclama de gases no ramadan! Quem manda meter a cara na cebola, na pimenta (e ouvi um relato de uma pessoa que passou muuuito mal depois de comer farinha de mandioca na madrugada)? Outros engordam mesmo fazendo jejum: comem até jiló quando o sol se põe. E alguns (como eu) lêem tantos hadiths sobre quebrar o jejum com tâmaras que ficam com desejo de comer tâmaras secas (aquelas bem doces) e compram toda semana. Fico roendo as tâmaras na frente da tv e até lendo.

Enfim… todo mundo tem uma história sobre o ramadan. Histórias que nem sempre contam… só contam que o ramadan é um mês abençoado, onde os pecados são perdoados e tal. Mas o ramadan tem o seu lado cômico e o seu lado trágico também.

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Friday, October 6, 2006

At-Tawab

Nós mulheres temos uma regra quase inconsciente em relação aos homens: errou uma vez, errou para sempre. Mesmo que digamos que nós os perdoamos, na primeira mancada nós lembramos de tudo o que fizeram de errado, desde o momento em que aprendeu o primeiro palavrão na escola. Não fazemos isso por maldade… nós temos uma memória muito boa, isso, sim.

Para nosso alívio Allah swt não é homem nem mulher. Ou seja, quando Ele perdoa um pecado, esquece de vez. Um dos seus 99 nomes é At-Tawab, o perdoador”. Já escrevi em um post anterior os variados modos de se apagar os pecados em vida. Há muitos mais após a morte e no Dia do Juízo. O Profeta (saas) disse:

“Allah abre sua mão durante o dia para perdoas aqueles que cometeram pecados durante a noite. E abre sua mão durante a noite para perdoar aqueles que cometeram pecados durante o dia.”

“Oba! Agora só faço as orações da Alvorada e da Noite: peço perdão por não ter feito as outras orações e pronto, apagos os pecados do dia inteiro!” Não é mole assim, não… Nós não sabemos a hora da nossa morte. Por isso é bom nos arrepender durante o dia todo, e não ter a intenção de praticar o erro novamente, senão o arrependimento não vale nada.

Quem fica com vergonha de pedir perdão deve deixar isso de lado, pois as pessoas que não pedem perdão são chamadas de “soberbas”. E ninguém gosta de ser chamado de soberbo. Allah swt fica imensamente feliz quando nos arrependemos. O Profeta (saas) disse:

“Quando um pecador levanta as mãos para Allah e diz: ‘Oh, Senhor’, os anjos fazem uma barreira entre ele e Allah, pois ele é um pecador. Então o pecador volta a dizer ‘Oh, Senhor’, e os anjos seguem fazendo a barreira. Então o pecador repete pela terceira vez ‘Oh, Senhor’. Allah swt diz aos anjos: ‘Por que vocês estão fazendo essa barreira? Não viram que Meu servo está Me chamando?’ E responde: ‘Aqui estou, oh Meu servo, aqui estou, oh meu servo, aqui estou, oh meu servo!’.”

Quando falamos que qualquer pecado é perdoado, é qualquer um mesmo: não fique se lamentando da época que você bebia e dançava macarena no balcão do bar da esquina, ou da época que jogava pôquer e deixou de comprar a pomadinha para a sua avó. Mas se você teve uns dez filhos por aí precisa continuar cuidando deles (ou começar a cuidar), porque de algumas conseqüências não é possível fugir. Allah swt tem mais amor e misericórdia por nós do que uma mãe por seu filho. E falo de uma mãe de verdade, não daquelas que jogam bebês no lago da cidade. Ele quer nos ver nos arrependendo e voltando para Ele. Quando Adão foi expulso do Paraíso, Allah swt o consolou assim:

“Oh, Adão, se Eu tivesse te protegido dos pecados bem como a tua prole, para quem Eu dedicaria a minha misericórdia, o meu perdão, minha proteção e o meu carinho, sendo que Eu sou o Perdoador, o Misericordiador? Oh, Adão, tu chegavas petante Nós como um rei perante um Rei, e agora tu chegas até Nós como um servo perante um Rei e isso é mais amado por Nós. Oh, Adão, o lamento dos teus pecados é mais amado por´Nós do que a glorificação dos aparentadores. Oh, Adão, não fiques triste por termos lhe dito para sair do Paraíso, pois foi para ti que o criamos. Mas desça para a Terra e pregue a piedade e faça o bem, e quando sentires saudade do Paraíso, venha até Nós e volte a ele!”

salam a todos e feliz ramadan!

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Saturday, September 30, 2006

Eu me amo!

“Quando entra a primeira noite do mês de ramadan, são atados os demônios e os gênios adolescentes, e se fecham as portas dos fogos infernais sem que se abra nenhuma delas, e são abertas as portas do Paraíso sem que se feche nenhuma delas, e um anunciante clamará: ‘Ó tu que queres o bem se aproxime; Ó tu que queres o mal se afaste!’ e estão a serviço de Allah anjos que resgatam pessoas do infero. E assim é cada noite.” (Sahih al Albani/ At- Tirmidhi)

 Isso significa que no ramadan não há gênios brincalhões cochichando nos nossos ouvidos. Por um lado isso pode ser bom: fica mais fácil dominar o nosso ego, fazer a jihad interior. Por outro, se você continua tendo aquelas idéias malvadas, aquele mau humor… não pode mais colocar a culpa nos gênios! Pelo menos durante esse mês. Sem desculpas, o jeito é mesmo tentar melhorar, porque o que está podre está mesmo dentro de nós.

No Islam há algo chamado nafs, que pode ser traduzido como “ego”. Temos quatro tipos de nafs:

- o nafs que incentiva a fazer o mal: habilmente representados nos desenhos infantis por um diabinho que sussurra no ouvido dos personagens. Esse nafs te incentiva a fazer o que é ruim, haram.

- o nafs que condena a si mesmo: o nosso grilo falante, a nossa consciência. Ele é que nos repreende quando fazemos algo de errado e faz com que nos sintamos mal.

- nafs em paz: o nafs que busca a Deus, que o ama. É aquela propensão que temos ao que é religioso, aquela coisa dentro de nós que nos faz procurar Deus quando estamos aflitos.

- nafs desatento: o nafs que te faz relaxar completamente. Você só pensa em aproveitar a vida, sem finalidade alguma. Não impele ao bem nem ao mal, mas acaba fazendo mal, já que desvia o ser humano do seu objetivo na vida.

Nós podemos ter um tipo de nafs ou até os quatro nafs. Cada um se mostra em uma parte do dia. Não é nada fácil controlá-los. Como disse no post anterior, se a vida fosse fácil seriamos grandes crianças mimadas andando pelo mundo. O nafs é um dos nossos maiores inimigos, e aqueles que não lutam contra os seus desejos ruins é escravo do seu nafs. Vá perguntar a um monge budista quanto tempo ele levou pra ter aquele sorrisinho zen…

Mas você pode pensar: “eu sou uma boa pessoa, não sou escravo no meu nafs”. Eu também sou uma boa pessoa (eu acho), mas tem sido difícil para mim lutar contra o meu nafs. Exemplos bobos: comer demais, dormir demais, dar vazão ao ócio. Tudo isso é muito bom, mas não pode se tornar regra na nossa vida (e dormir demais já virou regra na minha vida… astaghfirullah). Portanto, deixemos de preguiça e vamos aproveitar o ramadan livre de sussurros e vamos exercitar o nosso controle sobre o nafs. Um minuto comendo um doce de morango pode lhe render uma doença no futuro. Um minuto de paz alcançado com o domínio do nafs terá uma boa repercussão durante toda a nossa vida.

salam.

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Friday, September 29, 2006

Problemas, problemas e mais problemas!

Às vezes dizemos que “a bruxa está solta”: tudo dá errado. Aí você decide se enfiar debaixo da cama e não sair até essa maré mudar, ou vai correndo à Igreja Universal mais próxima. Geralmente se pergunta por quê Deus está permitindo isso. Se não acredita em Deus, coloca a culpa de tudo na “lei de Murphy”.

Nós muçulmanos vemos as calamidades por um outro ângulo. Primeiro: há quatro maneiras de se purificar os pecados em vida, para que no momento da nossa morte possamos estar limpos de todos os pecados e irmos direto para o Paraíso depois do Dia do Juízo. Como somos humanos, não pecar é uma coisa muuuito difícil. Então Allah (swt), em toda a sua misericórdia (Ele dividou a misericórdia em 100 partes: derramou uma parte de 100 na Terra e ficou com 99 partes), nos deu quatro maneiras de ficamos “limpos”:

1. At taubah: arrependimento. Quando sabemos o que fizemos de errado e temos a intenção de não repetir o erro. Quando nos arrependemos o pecado é apagado.

2. Istighfar: pedir perdão, quando não sabemos o que fizemos. Basta dizer “astaghfirullah” durante o dia. O que fizemos de errado e não sabemos também é apagado.

3. Hassanat: as boas ações. Elas apagam as más ações. E melhor… quando temos a intenção de fazer uma boa ação, essa intenção conta como 1 boa ação. Quando a realizamos, ela é contada como 10 boas ações. Mas se fizermos uma má ação, ela é contada como 1 má ação. Então será que 1 boa ação realizada apaga dez más ações? Isso é que é promoção!

4. As calamidades: aí é que começa o post…

Imagine só se não tivéssemos nenhum problema na vida. Seríamos grandes crianças mimadas, pois é nas dificuldades que aprendemos, que crescemos moralmente e que nos fortalecemos para seguir em frente. Essa é a função básica dos problemas que enfrentamos na vida. Mas além disso, as calamidades que enfrentamos purificam os nossos pecados. Ou seja: quando passamos por problemas sérios, nossos pecados são perdoados. E tem mais: se Allah (swt) lhe envia uma calamidade, é para que seus pecados sejam perdoados ainda em vida. Se você não estiver purificado quando morrer, terá outras opções mais “complicadas”: o castigo no túmulo, enfrentar a situação do Dia do Juízo, etc. Não são opções nada divertidas. Então os problemas são uma misericórdia de Allah (swt) para com os seus servos. Alguns ditos do Profeta (saas) são exemplares:

“Allah perda todos os pecados de um crente por passar uma noite com febre.”

“Quando um muçulmano se fere, por exemplo, com um espinho ou menos que isso, Allah perdoa-lhe os pecados, os quais saem dele como as folhas de uma árvore.”

“Sempre que o muçulmano for acometido de uma fadiga, enfermidade, preocupação, tristeza, lesão ou angústia, inclusive atingido por um espinho que o perfure, Allah perdoará por causa disso alguns de seus pecados.” 

Allah (swt) diz:

“Caso submetesse a um servo Meu a uma provação como a perda da visão e ele se armasse de paciência, recompensa-lo-ia por isso com o Paraíso.”

 Portanto, força para enfrentar as calamidades! E não venha mais com essa história de que “Deus me esqueceu”, ou “Por quê eu?”. Essa falta de paciência, além de acabar com a sua saúde, tirará todos os benefícios enviados por Allah (swt) numa situação dessas.

 

salam.

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Thursday, September 28, 2006

Os números do ramadan

 

No ramadan as boas ações e até as nossas obrigações valem mais. Ou seja: as recompensas se multiplicam por 70!

Vamos pegar um exemplo:

“Suponhamos que você tenha feito a oração de dhuhur (meio-dia). Como sabemos, a boa ação é recompensada com 10 obras equivalentes, mas que no ramadan são multiplicadas por 70, que daria o resultado de 700. se você fizer essa oração em congregação, ela é multiplicada por 27, pois como sabemos, a oração em congregação equivale a 27 vezes mais do que a individual, totalizando 18.900. e, que multiplicada por 5 orações diárias somam um total de 94.500, ou seja, cerca de 100.000 orações, que é como se você tivesse ido até Meca e rezado na Mesquita Sagrada.”

“E se você ler o Quran, cada letra equivale a 10 boas ações, que multiplicadas por 70 dá 700 boas obras. Se você ler a trigésima parte do Quran, esta tem o equivalente a 7000 letras. Então teremos 700 x 7000 e teremos o resultado de 4.900.000 boas obras em menos de uma hora de leitura.”

Como sempre fui péssima em matemática, copiei e colei esses dois trechos, que estão na comunidade “aulas de religião islâmica” do orkut, no tópico “ramadan”. O link é o seguinte:

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=18326700

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Al-fajr: a novela das 5:00 (da manhã)

 

Al-fajr é o nome da oração que devemos fazer antes da alvorada. Ou seja: o seu horário oscila entre 4:39 e 6:00 da manhã, dependendo da época do ano. Agora me digam: quem acorda nesse horário com um enorme sorriso no rosto, abre a janela e diz: “Olá, dia lindo!”?

Humm…. silêncio.

Pois é… por isso essa oração é tão negligenciada. E eu nem falo dos outros, falo de mim mesma. Rezar de madrugada pode ser um problema pelas seguintes razões:

  1. Eu tenho a péssima mania de desligar o despertador do celular e voltar a dormir, sem me dar conta do que estou fazendo. Depois que acordo nem me lembro que fiz isso.

  2. Meu marido acabou adquirindo o mesmo hábito, e diversas vezes acordamos no meio da manhã e um diz pro outro: “Esse celular está com problema… não despertou!” Aí desconfiamos: quem desligou o celular e não se lembra?

  3. Quando finalmente meu marido acorda, eu continuo dormindo e ele não consegue me acordar. Eu respondo um “ahã, já vou” e volto a dormir. Aí ele reza sozinho.

  4. Quando eu acordo, não o deixo fazer a ablução antes de mim. Caso contrário, ele faz uma ablução minuciosa (ou seja, demorada) e antes faz duas prostrações voluntárias. Depois da oração já perdi o sono e às vezes conversamos o resto da manhã. Resultado: sono o dia inteiro.

Poxa, será que essa oração é só problema? Vamos olhar sob um outro ângulo: essas situações acontecem de vez em quando. E devo fazer muita du’a para que possa melhorar, e muito. Afinal, não há nada mais gostoso do que colocar a cabeça no travesseiro depois de rezar. O sono é leve, os sonhos são doces, o descanso é mais reparador.

E por quê será que o dia não rende quando não rezamos al-fajr? Um hadith do Profeta (saas) diz (seu sentido, pois não o sei de cor) que shaytan faz três nós nas nossas costas durante a noite. O primeiro nó se desfaz quando acordamos e dizemos “bismillah”. O segundo se desfaz quando fazemos uma ablução apropriada e o terceiro nó se desfaz quando rezamos.

Por isso é tão importante não perder essa oração. Ela muda o resto do nosso dia e o deixa melhor. Além disso, é um teste à nossa fé. E suas recompensas são dadas nesta vida e na próxima.

Se o seu marido ou esposa, filho ou até seus pais não acordam para al-fajr, siga o conselho do Profeta Muhammad (saas): joge um pouco de água no rosto dele/dela até acordar. E se ele ou ela reclamarem, deixe-o falando sozinho até acordar direito e se dar conta de que precisa rezar. Bem… agora é melhor eu aumentar o som do meu despertador, porque meu marido certamente lerá isso e não perderá a chance…

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Tuesday, September 26, 2006

Ramadan

Como está sendo o ramadan de vocês? Espero que ninguém aqui tenha se esquecido de fazer aquela refeiçãozinha de madrugada para não passar o dia de mau humor (com muita proteína e água). Richard Burton, inglês revertido ao Islam em meados do século XlX, descreveu o ramadan no Cairo de forma nada agradável: disse que as pessoas ficavam emburradas, e era raro o lugar onde não houvesse uma briga. Isso lá é espírito de ramadan, minha gente?

Outra coisa… eu preciso perguntar isso a alguém, já que eu ainda não encontrei solução: o que podemos fazer quando pertencemos a uma família que não é muçulmana e que tem na comida a sua razão de viver??? A minha família é assim. Ninguém admite que eu passe um dia sem almoçar. O que dirá um mês inteiro! Acham que eu vou desmaiar pelas ruas em plena luz do dia, que eu não conseguirei raciocinar direito… Eu sei que isso acontece com algumas pessoas, mas comigo acontece justamente o contrário: minha mente fica muito mais clara. Graças a Deus prestei vestibular durante o ramadan… é uma dica que eu dou aos vestibulandos. Então é preciso inventar desculpas todos os dias: “vou mais cedo à faculdade”, “não estou com fome”, “estou enjoado”, “sua comida é ruim” (não tente a última, por favor!). Queria novas idéias, pois ainda tenho muitos dias de jejum pela frente.

Mesmo assim, não é um mês de festa? É uma graça ver aquelas criancinhas na mesquita competindo: “Eu fiz jejum até meio-dia”, “pois eu fiz até duas horas. Ganhei!”. Isso sem falar no adesivo que colam na blusa: “Estou de jejum”.

Quem quebra o jejum na mesquita sabe bem o significado da palavra “tirar o pai da forca”. É uma correria para ver quem pega mais comida para aplacar a fome de um dia inteiro! Conheço uma pessoa que quebrou o jejum com um belo strogonoff. Resultado: passou mal, é claro. Sugestões minhas: quebre o jejum com uma fruta (leve, nada de jaca!).

Outra idéia para quem tem filhos: dê um docinho para os seus filhos depois que eles quebrarem o jejum. Dessa forma eles associam o ramadan a um mês de festa. E tem coisa melhor para nos deixar felizes do que doce?

Bem, meus amigos, é isso. Eu continuo desejando um feliz ramadan a todos.

salam.

 

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